19 de out. de 2010

Atualizei novamente pois corrigi alguns erros de digitação, concordância etc.


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Bom, depois de três mil anos, estou aqui :)
O conto que postarei faz parte das atividades da faculdade (que fica claro que o tema era obrigatório) ...




Injustiça Infantil


          Flores de cores e tipos tão variados mostravam que o equinócio de setembro já passara. Em Salvador, na Bahia, cada cor parece ter uma grandeza sem igual: o amarelo areia, o verde mar, o azul do céu, o branco do pai de santo, a pele preta do sol, o vermelho do farol, o arco-íris do carnaval. Cada pigmento chamava a atenção de Luíza, de apenas nove anos, que passeava com sua mãe, em um lindo fim de tarde na Feira do Rolo. Seus olhos grandes, feito jabuticabas, brilhavam o tempo, vendo tantas coisas novas e diferentes, afinal, era a primeira vez que sua mãe a levava ali.
          Luíza sempre foi uma criança mirradinha e seus braços mais pareciam varetas secas, entretanto, era muito esperta e observadora. Mais ouvia do que falava. Ela e sua mãe andaram pela feira até o sol se pôr e, com isso, a vontade da mãe de ir embora já era nítída.

          - Minha filha, vamos para casa! Já chega! Outro dia mãinha vem com você aqui de novo. Meus calcanhares estão até doloridos.

          - Mas mãinha, só mais uma loja! Aquela ali, olhe! - apontando para a loja cor-de-rosa do outro lado da rua.

          - Ô meu Senhor do Bonfim! Está certo! Última loja, Luíza. Não podemos chegar tarde.

         Com um grande sorriso, Luíza atravessou a rua correndo sem bem olhar se vinha algum carro e já entrou na loja. Uma vendedora oferece ajuda à pequena menina e, em troca, recebe uma resposta típica de uma garotinha da sua idade.

          - Moça, não quero nada, viu? Só entrei aqui porque eu adoro cor-de-rosa! - observa a loja por uns instantes enquanto sua mãe chega. - Olhe mãinha, não é linda? Essa é a cor mais linda do mundo!

          Sua mãe, encantada com o deslumbre de sua filha, começa a olhar as mercadorias daquela imensa loja, apenas para dar tempo à Luíza. O lugar estava muito cheio, afinal, os preços estavam ótimos e encontrar a filha ali acabou virando um desafio após cinco minutos.

          -Luíza? Luíza! Cadê você, filha? - Em vão.

          Chamou diversas vezes, sem êxito. A preocupação começou a tomar conta do coração de mãe e o desespero a agitou tanto que largou tudo o que tinha nas mãos e foi procurar sua filha pela loja. Foi quando ela percebeu certo tumulto na entrada da loja.

          - Mas o que será isso? - Disse em voz baixa.

           Instantes antes, um adolescente entrou correndo naquele lugar com uma arma na mão e outra no cinto da bermuda, mostrando-as para todo mundo, querendo dinheiro.
         
           - Todo mundo no chão! Quietos! Eu não quero ouvir nem uma respiração!

          Pelo seu sotaque, percebia-se que não era nativo. Vinha do sul, com certeza, pelo seu pé vermelho também. Todos se abaixaram. Sussurros e choramingos tomavam conta do lugar, fazendo com que aquele assaltante adolescente ficasse enfurecido enquanto pegava todo o dinheiro do caixa. Aquele coração de mãe preocupado anteriormente, já estava quase saindo pela boca de medo e desespero por não saber onde a filha estava.
          De repente, ouve-se uma sirene do lado de fora, vinda de um carro policial. Foi a gota d'água para aquele rapaz. Começou a gritar e disparar tiros em todas as direções. O alvoroço naquela loja foi sem igual: pessoas correndo de um lado para o outro, querendo sair do lugar, a mãe de Luíza ainda a procurava e o assaltante perdido e nervoso, atirando contra as paredes.

          - Ahhhhhh! - Ouve-se um grito muito alto.

          - Luíza! - a mãe grita mais alto ainda e desesperadamente.

          Um projétil acertara a menina. O mundo parou naquele instante na mente e na visão de sua mãe. Ver sua filha baleada a fez sentir a mesma dor do parto, ou pior. Nada e ninguém existiam mais em sua volta. Seus olhos e suas pernas só tinham direção para Luíza, estendida no chão. Nenhuma reação a criança teve mais, além da reação do susto com a dor. Foi de imediato o efeito da munição: a morte. Aquela mãe pegou o cadáver nos braços, derramando lágrimas sem fim por cima de seu rostinho. Gritos, choro, espanto. Isso era o que a mãe, com vida somente carnal, jorrava.
          Os policiais entraram no estabelecimento e renderam o adolescente que, naquele momento, estava insano e seu destino era a prisão.
          Tudo passava na cabeça da mãe em câmera lenta. A dor de perder uma filha parecia lhe rasgar por dentro. Afinal, é algo que acontece contra as leis da natureza. A vida de Luíza teve um fim trágico. Já a vida de sua mãe, perdeu todas as cores. Ficou cinza como um dia de tempestade. A única cor que existiu por mais algumas horas em sua visão foi do caixão de sua menina: cor-de-rosa.




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E hoje é meu aniversário. Há. heiuehu :)

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