31 de mai. de 2010

Cabelos negros, meia altura, misterioso
Seu sorriso é frio, amarelo.
Olhar sempre baixo, mas não envergonhado
De quem só olha onde a atenção suplica.
As sí-la-bas o atraem. Juntas, s e p a r a d a s, tanto faz.
O que importa mesmo são os versos
Versos que passam diante de seus olhos
Que lhe tira o mundo de vista.

Inevitável tentar imaginar
O que passa em seu pensamento
Como o mundo, seus olhos vêem
Em que r i t m o sua mente lê.
Porém, seu rosto anti-expressionista
Não permite alguma brecha
Para que seu mistério venha se revelar
Para que meus versos possam continuar.

25 de mai. de 2010



O que leva um casal a ficar um do lado do outro com um fone de ouvido? Não. Eles não estavam dividindo o mesmo fone. Cada um estava com um par mesmo. Depois de me espantar com essa cena, passei a observar as pessoas à minha volta.

Já reparou o quanto as pessoas se isolam mesmo estando em um ônibus lotado ou na fila do banco? Como um simples fone de ouvido com um aparelho fonte de música (seja ele qual for) faz a pessoa se desligar do mundo? Acredite... posso ter apenas 18 anos (ou tudo isso!) mas sou da época que a pessoa que sentava ao seu lado ou estava no elevador, puxava assunto, nem que fosse um 'acho que vai chover hoje, né?'.

Numa cidade como Maringá ainda - AINDA - é possível ouvir sem reclamar de poluição sonora, os barulhos da cidade. Carros, motos, pessoas conversando enquanto andam, pássaros (!), um anúncio de loja aqui, outra buzinada ali, alguém reclamando ou um adolescente rindo de tudo em um shopping. Entretanto, - voltando ao meu parafuso do começo - isso é cada vez menos visto, afinal de contas, se você está escutando uma música, você não conversa (ou só responde o necessário).

Agora, sem exagero da minha parte, de seis pessoas que estavam sentadas no fundo do ônibus (me incluindo), a metade estava com fones (me incluindo também)! Foi aí então que comecei observar os idosos. Eles sempre entram, sentam e começam conversar com quem está do lado. Mas se é uma pessoa com fone, não conversam. Cadê a interação?

Você deve estar se perguntando: Por que tanta implicância com o fone? Eu respondo... É muito fácil dizer que o computador (com internet) afasta as pessoas ao mesmo tempo que aproxima, pela falta de relacionamento; que os adolescentes - principalmente - ficam o tempo todo no MSN, orkut, formspring, twitter, etc. com o vizinho ou até mesmo com alguém da própria casa. Mas não nos demos conta que um simples meio de nos distrair (no caso, a música) acabou nos levando ao mesmo fim?

Talvez esse artigo de opinião (?) esteja com um ar meio dramático, meio 'tempestade num copo d'água', mas por mais que eu goste da socialização virtual, ainda prefiro a real mesmo. Olho no olho, abraço, conversa, risada, toques, até brigas ou discussões. Pode ser que escrever tudo isso aqui não faça diferença alguma pra você (se você leu até aqui, já fez bem pro seu armazenamento de vocabulário, etc.), mas para mim fez. Não pelo fato de escrever, e sim de refletir. E de não usar mais fones de ouvido perto de alguém...

18 de mai. de 2010

Resolvi colocar todas as partes do conto juntas. Espero que facilite a leitura e a compreensão...
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Ela não o via, mas o sentia. Possuía a mais profunda das nostalgias. Sua lembrança era como a luz do sol, onde em um eclipse se esconde por alguns minutos, mas logo se recompõe. Recordações de quando tudo era belo, magnífico. Utopia pura, ela sabia, mas era o suficiente para se sentir viva, de valor. Em sua memória, ele a amou como jamais alguém fez e como ninguém fará. Cada lágrima caída no chão fazia um barulho atroador em sua alma e em seu coração. A sensação era de um sofrimento em vão que, por mais que quisesse, não conseguiria superar tão brevemente.


O sentimento era inigualável e imenso. Ela se sentia minúscula perto de tamanha confusão em sua mente, em seu coração.
O andar do relógio em seu pulso era o único som naquele momento e indicava que a hora de contemplá-lo pela última vez se aproximava.

TIC TAC TIC TAC TIC TAC ...

Era um barulho infernal para seus ouvidos e principalmente para seu coração que chorava desesperadamente. Um coração que ansiava e ao mesmo tempo temia aquele encontro.
Ela chegou ao lugar em que ele a aguardava. Sem coragem de entrar e encará-lo, caiu aos prantos. Sentiu como se o mundo estivesse terminado ali, naquele instante. SÓ ALGUNS PASSOS era o que os separava. Tomou-lhe o ar, enxugou seu rosto e entrou por aquela porta. O ambiente possuía uma atmosfera melancólica, ressaltava um silêncio ensurdecedor.


A pouca distância naquele momento parecia a eternidade, porém ela prosseguia com seu andar em direção à ele, lentamente. Fitou seus olhos no rosto dele e não tirou mais. Era um rosto sereno, mas diferente do que ela estava acostumada. Aquele imenso sorriso com qual ele sempre a recebera, já não existia mais, o abraço confortante e envolvente, também não. Sua expressão era silenciosa naquele momento.



A força de resistir as lágrimas que ainda lhe sobrava, terminaram ali. O choro chegara e agora não iria embora tão logo. Ela correu em direção à ele e o abraçou, acariciou seu rosto, o molhou com seu pranto. Falou sobre os sonhos que um dia possuíram, disse-lhe o quanto o amava e queria ser-lhe o lado direito por toda a vida. Disse-lhe em vão. O amor dele já não mais existia. Ele não a ouvia. E debruçada sobre o seu caixão, ela ficou sem respostas, sem seu grande amor. Foi seu último adeus.


6 de mai. de 2010

Em um dos meus passeios ao anoitecer avistei um pivete, com extrema magreza, cabelo raspado e com os pés descalços, jogando bola na rua. Na medida em que observava a partida, lembrava de minha infância. Doce nostalgia. A bola do jogo veio parar aos meu pés. Peguei-a, olhei para os olhos estalados daquele menino...
Ô sinhôr... me dá a bola por favor?
Você não tem medo rapaizinho?
Medo de que?
Sua mãe nunca lhe disse pra não conversar com estranhos?
Não sinhôr - balançou a cabeça - ela sempre me diz que assim que começa uma amizade.
Ao ouvir aquilo, devolvi a bola e continuei observando a partida.
Sorri e pensei: ele sim sabe bem viver.


''Estranho é só um amigo que você não conhece''

(Albert Eistein)