18 de mai. de 2010

Resolvi colocar todas as partes do conto juntas. Espero que facilite a leitura e a compreensão...
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Ela não o via, mas o sentia. Possuía a mais profunda das nostalgias. Sua lembrança era como a luz do sol, onde em um eclipse se esconde por alguns minutos, mas logo se recompõe. Recordações de quando tudo era belo, magnífico. Utopia pura, ela sabia, mas era o suficiente para se sentir viva, de valor. Em sua memória, ele a amou como jamais alguém fez e como ninguém fará. Cada lágrima caída no chão fazia um barulho atroador em sua alma e em seu coração. A sensação era de um sofrimento em vão que, por mais que quisesse, não conseguiria superar tão brevemente.


O sentimento era inigualável e imenso. Ela se sentia minúscula perto de tamanha confusão em sua mente, em seu coração.
O andar do relógio em seu pulso era o único som naquele momento e indicava que a hora de contemplá-lo pela última vez se aproximava.

TIC TAC TIC TAC TIC TAC ...

Era um barulho infernal para seus ouvidos e principalmente para seu coração que chorava desesperadamente. Um coração que ansiava e ao mesmo tempo temia aquele encontro.
Ela chegou ao lugar em que ele a aguardava. Sem coragem de entrar e encará-lo, caiu aos prantos. Sentiu como se o mundo estivesse terminado ali, naquele instante. SÓ ALGUNS PASSOS era o que os separava. Tomou-lhe o ar, enxugou seu rosto e entrou por aquela porta. O ambiente possuía uma atmosfera melancólica, ressaltava um silêncio ensurdecedor.


A pouca distância naquele momento parecia a eternidade, porém ela prosseguia com seu andar em direção à ele, lentamente. Fitou seus olhos no rosto dele e não tirou mais. Era um rosto sereno, mas diferente do que ela estava acostumada. Aquele imenso sorriso com qual ele sempre a recebera, já não existia mais, o abraço confortante e envolvente, também não. Sua expressão era silenciosa naquele momento.



A força de resistir as lágrimas que ainda lhe sobrava, terminaram ali. O choro chegara e agora não iria embora tão logo. Ela correu em direção à ele e o abraçou, acariciou seu rosto, o molhou com seu pranto. Falou sobre os sonhos que um dia possuíram, disse-lhe o quanto o amava e queria ser-lhe o lado direito por toda a vida. Disse-lhe em vão. O amor dele já não mais existia. Ele não a ouvia. E debruçada sobre o seu caixão, ela ficou sem respostas, sem seu grande amor. Foi seu último adeus.


Um comentário:

  1. Bom. Ainda bem que você desistiu de fechar o blog (desistiu, né?).
    Obrigado pela recepção.

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