
O que leva um casal a ficar um do lado do outro com um fone de ouvido? Não. Eles não estavam dividindo o mesmo fone. Cada um estava com um par mesmo. Depois de me espantar com essa cena, passei a observar as pessoas à minha volta.
Já reparou o quanto as pessoas se isolam mesmo estando em um ônibus lotado ou na fila do banco? Como um simples fone de ouvido com um aparelho fonte de música (seja ele qual for) faz a pessoa se desligar do mundo? Acredite... posso ter apenas 18 anos (ou tudo isso!) mas sou da época que a pessoa que sentava ao seu lado ou estava no elevador, puxava assunto, nem que fosse um 'acho que vai chover hoje, né?'.
Numa cidade como Maringá ainda - AINDA - é possível ouvir sem reclamar de poluição sonora, os barulhos da cidade. Carros, motos, pessoas conversando enquanto andam, pássaros (!), um anúncio de loja aqui, outra buzinada ali, alguém reclamando ou um adolescente rindo de tudo em um shopping. Entretanto, - voltando ao meu parafuso do começo - isso é cada vez menos visto, afinal de contas, se você está escutando uma música, você não conversa (ou só responde o necessário).
Agora, sem exagero da minha parte, de seis pessoas que estavam sentadas no fundo do ônibus (me incluindo), a metade estava com fones (me incluindo também)! Foi aí então que comecei observar os idosos. Eles sempre entram, sentam e começam conversar com quem está do lado. Mas se é uma pessoa com fone, não conversam. Cadê a interação?
Você deve estar se perguntando: Por que tanta implicância com o fone? Eu respondo... É muito fácil dizer que o computador (com internet) afasta as pessoas ao mesmo tempo que aproxima, pela falta de relacionamento; que os adolescentes - principalmente - ficam o tempo todo no MSN, orkut, formspring, twitter, etc. com o vizinho ou até mesmo com alguém da própria casa. Mas não nos demos conta que um simples meio de nos distrair (no caso, a música) acabou nos levando ao mesmo fim?
Talvez esse artigo de opinião (?) esteja com um ar meio dramático, meio 'tempestade num copo d'água', mas por mais que eu goste da socialização virtual, ainda prefiro a real mesmo. Olho no olho, abraço, conversa, risada, toques, até brigas ou discussões. Pode ser que escrever tudo isso aqui não faça diferença alguma pra você (se você leu até aqui, já fez bem pro seu armazenamento de vocabulário, etc.), mas para mim fez. Não pelo fato de escrever, e sim de refletir. E de não usar mais fones de ouvido perto de alguém...
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