4 de nov. de 2010

Ouvi essa música essa semana. Não a conhecia. 
Não tinha como deixar de postá-la aqui.
 
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Brasil Corrupção 
Ana Carolina e Seu Jorge
 
Neste Brasil corrupção
pontapé bundão
puto saco de mau cheiro
do Acre ao Rio de Janeiro
 
Neste país de manda-chuvas
cheio de mãos e luvas
tem sempre alguém se dando bem
de São Paulo a Belém
 
Pego meu violão de guerra
pra responder essa sujeira
E como começo de caminho
quero a unimultiplicidade
onde cada homem é sozinho
a casa da humanidade
 
Não tenho nada na cabeça
a não ser o céu
não tenho nada por sapato
a não ser o passo
 
Neste país de pouca renda
senhoras costurando
pela injustiça vão rezando
da Bahia ao Espírito Santo
 
Brasília tem suas estradas
mas eu navego é noutras águas
E como começo de caminho
quero a unimultiplicidade
onde cada homem é sozinho
a casa da humanidade


E agora ainda vem essa Dilma!

19 de out. de 2010

Atualizei novamente pois corrigi alguns erros de digitação, concordância etc.


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Bom, depois de três mil anos, estou aqui :)
O conto que postarei faz parte das atividades da faculdade (que fica claro que o tema era obrigatório) ...




Injustiça Infantil


          Flores de cores e tipos tão variados mostravam que o equinócio de setembro já passara. Em Salvador, na Bahia, cada cor parece ter uma grandeza sem igual: o amarelo areia, o verde mar, o azul do céu, o branco do pai de santo, a pele preta do sol, o vermelho do farol, o arco-íris do carnaval. Cada pigmento chamava a atenção de Luíza, de apenas nove anos, que passeava com sua mãe, em um lindo fim de tarde na Feira do Rolo. Seus olhos grandes, feito jabuticabas, brilhavam o tempo, vendo tantas coisas novas e diferentes, afinal, era a primeira vez que sua mãe a levava ali.
          Luíza sempre foi uma criança mirradinha e seus braços mais pareciam varetas secas, entretanto, era muito esperta e observadora. Mais ouvia do que falava. Ela e sua mãe andaram pela feira até o sol se pôr e, com isso, a vontade da mãe de ir embora já era nítída.

          - Minha filha, vamos para casa! Já chega! Outro dia mãinha vem com você aqui de novo. Meus calcanhares estão até doloridos.

          - Mas mãinha, só mais uma loja! Aquela ali, olhe! - apontando para a loja cor-de-rosa do outro lado da rua.

          - Ô meu Senhor do Bonfim! Está certo! Última loja, Luíza. Não podemos chegar tarde.

         Com um grande sorriso, Luíza atravessou a rua correndo sem bem olhar se vinha algum carro e já entrou na loja. Uma vendedora oferece ajuda à pequena menina e, em troca, recebe uma resposta típica de uma garotinha da sua idade.

          - Moça, não quero nada, viu? Só entrei aqui porque eu adoro cor-de-rosa! - observa a loja por uns instantes enquanto sua mãe chega. - Olhe mãinha, não é linda? Essa é a cor mais linda do mundo!

          Sua mãe, encantada com o deslumbre de sua filha, começa a olhar as mercadorias daquela imensa loja, apenas para dar tempo à Luíza. O lugar estava muito cheio, afinal, os preços estavam ótimos e encontrar a filha ali acabou virando um desafio após cinco minutos.

          -Luíza? Luíza! Cadê você, filha? - Em vão.

          Chamou diversas vezes, sem êxito. A preocupação começou a tomar conta do coração de mãe e o desespero a agitou tanto que largou tudo o que tinha nas mãos e foi procurar sua filha pela loja. Foi quando ela percebeu certo tumulto na entrada da loja.

          - Mas o que será isso? - Disse em voz baixa.

           Instantes antes, um adolescente entrou correndo naquele lugar com uma arma na mão e outra no cinto da bermuda, mostrando-as para todo mundo, querendo dinheiro.
         
           - Todo mundo no chão! Quietos! Eu não quero ouvir nem uma respiração!

          Pelo seu sotaque, percebia-se que não era nativo. Vinha do sul, com certeza, pelo seu pé vermelho também. Todos se abaixaram. Sussurros e choramingos tomavam conta do lugar, fazendo com que aquele assaltante adolescente ficasse enfurecido enquanto pegava todo o dinheiro do caixa. Aquele coração de mãe preocupado anteriormente, já estava quase saindo pela boca de medo e desespero por não saber onde a filha estava.
          De repente, ouve-se uma sirene do lado de fora, vinda de um carro policial. Foi a gota d'água para aquele rapaz. Começou a gritar e disparar tiros em todas as direções. O alvoroço naquela loja foi sem igual: pessoas correndo de um lado para o outro, querendo sair do lugar, a mãe de Luíza ainda a procurava e o assaltante perdido e nervoso, atirando contra as paredes.

          - Ahhhhhh! - Ouve-se um grito muito alto.

          - Luíza! - a mãe grita mais alto ainda e desesperadamente.

          Um projétil acertara a menina. O mundo parou naquele instante na mente e na visão de sua mãe. Ver sua filha baleada a fez sentir a mesma dor do parto, ou pior. Nada e ninguém existiam mais em sua volta. Seus olhos e suas pernas só tinham direção para Luíza, estendida no chão. Nenhuma reação a criança teve mais, além da reação do susto com a dor. Foi de imediato o efeito da munição: a morte. Aquela mãe pegou o cadáver nos braços, derramando lágrimas sem fim por cima de seu rostinho. Gritos, choro, espanto. Isso era o que a mãe, com vida somente carnal, jorrava.
          Os policiais entraram no estabelecimento e renderam o adolescente que, naquele momento, estava insano e seu destino era a prisão.
          Tudo passava na cabeça da mãe em câmera lenta. A dor de perder uma filha parecia lhe rasgar por dentro. Afinal, é algo que acontece contra as leis da natureza. A vida de Luíza teve um fim trágico. Já a vida de sua mãe, perdeu todas as cores. Ficou cinza como um dia de tempestade. A única cor que existiu por mais algumas horas em sua visão foi do caixão de sua menina: cor-de-rosa.




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E hoje é meu aniversário. Há. heiuehu :)

16 de set. de 2010

Rasgando as teias

Acontece que me dei conta que acreditar nem sempre é demais
Que me faz bem. Eu quero é mais! 
Sem esse papo de positivismo ou de religião
Eu digo no acreditar que envolve ação! 

Aqueles sonhos que eu pensava nem mais existir
Encontrei nas teias e comecei a lembrança regredir
O aracnídio do medo que um dia me enganchou
Taquei-o para longe! Pra lá de Moscou!

Pode chamar de ego
Ego eu sei quem não é
Só não quero depois o arrependimento no meu pé!

Se não me faço, quem é que faz?
Realizando meus propósitos é que me sinto em paz
Eu quero é mais! Eu quero é mais!


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Ps.: Tirando as teias do coração e do blog... com exatos 2 meses!

15 de jul. de 2010


Me peguei pensando na vida
Em como sarar a ferida
Que arde em meu coração

De que jeito lidar com amizades?
De que forma saber as verdades?
Será que tudo é em vão?

Perguntas me deixam com medo
Sem saber qual é o segredo
Dessa vida vasta de ilusão.


1 de jul. de 2010

Pra começo de conversa peço desculpas - se ainda existe algum leitor aqui - por deixar o blog um pouco abandonado, mas o período pré-férias está me deixando meio - ou inteira - louca.

O conto abaixo é um dos meus preferidos e eu o recomendo mil vezes, sem dúvida. Tem uma linguagem mais do que simples e objetiva. É aquele famoso 'gostoso de ler'.

Talvez seja digno usar o título do meu blog agora... LEIA, RELEIA, SINTA.


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Diário de um subversivo

no remoto ano de 1936


Em 15 de fevereiro – Minha situação aqui na pensão é insustentável. Vieram morar aqui dois estudantes integralistas. Hoje, no almoço, um deles falou comigo. Tinham-lhe dito que eu era jornalista; em que jornal eu trabalhava? Respondi que em jornal nenhum. Diante do embaraço dele, expliquei: na revista Vida Doméstica. Puxou conversa sobre política, mas eu disse com superioridade:


- Minha política é o Flamengo!


Ele observou gravemente que o futebol serve para distrair o povo de seus problemas. Enquanto o povo está discutindo futebol, o comunismo está tramando golpes sangrentos. Lenine disse que a religião é o ópio do povo. O futebol é, digamos, uma espécie de maconha. Explicou que citava Lenine porque se tratava de um gênio, mas gênio inclinado para o mal.

Falou muito e fiquei calado, fazendo o possível para fazer um ar de admiração atenta; mas creio que tinha apenas cara de palerma. Eu me pergunto se ele não é capaz de telefonar para a Vida Doméstica e perguntar o que faz lá um sujeito chamado Lauro Guedes, que é meu nome aqui na pensão.

Dia 16 – O outro integralista me perguntou se já li alguma obra de Spengler. Respondi que não. Ele fez questão de me emprestar um livro.


Dia 18 – Ontem me arrisquei, indo à cidade. Procurei o Dr. Fontoura no seu consultório. Ele ficou assustadíssimo. Disse que eu cometia uma imprudência enorme indo ao centro, pois o meu nome saíra num jornal, envolvido na fundacão de uma associação que a polícia descobriu ser comunista. Que a situação dele também era delicada, não convinha que eu o procurasse. Deu-me um pouco de dinheiro.


Dia 21 – O que me aconteceu foi surpreendente. Fui à cidade procurar o senador, com quem, por sinal, não consegui falar. Estive com o Clóvis, que me falou da prisão, ontem, de vários amigos, inclusive o Dunga. Quando subia no ônibus, alguém me agarrou pelo braço. Tremi de susto. Voltei-me; era um sujeito desconhecido, de chapéu. Perguntou se me lembrava dele. Embaraçado, disse-lhe que não podia perder aquele ônibus; ele disse que vinha comigo. Só podia ser tira, ainda mais de chapéu.

Não era tira, era careca. Não o reconheci logo porque havia raspado os grandes bigodes louros que sempre usou. É um securitário, Edgar, que conheci por ocasião de uma greve. Antes de chegar à pensão, tive um palpite; saltei do ônibus com Edgar e telefonei do café da esquina perguntando se havia algum recado para mim. Dona Dolores me disse que estavam lá dois amigos me esperando; perguntou se eu queria que ela chamasse. Como não dei meu endereço a ninguém, vi logo do que se tratava. De qualquer modo, esperei; Dona Dolores voltou e disse que os dois tinham ido embora e não tinham deixado os nomes. Depois, mais baixo, disse: “Não venha aqui não.” Estou escrevendo na casa do Edgar onde vou dormir esta noite.


Dia 24 – Edgar é formidável. Não me deixou sair de sua casa. Sua mulher é muito simpática; tem uma filhinha de dois anos. Preciso arranjar dinheiro e dar o fora, pois se por acaso eu for preso aqui, Edgar também irá comigo, e talvez até Alice. Alice é muito esclarecida. Edgar foi à pensão ver se trazia minhas coisas, mas Dona Dolores disse que a polícia carregou tudo. Até o livro de Spengler foi em cana. Ainda bem que meus papéis mais importantes estavam na pasta.


Dia 26 – Telefonei ao Clóvis, e ele veio me ver ontem. A polícia me procurou também na redação Ontem foi presa a Linda, mulher do Alcir; saiu nos jornais. Com um bilhete meu, o Clóvis procurou o senador, que me mandou algum dinheiro, ele disse ao Clóvis que devia muitos favores ao meu falecido pai, o que é verdade; de qualquer modo, foi alinhado. Eu podia fugir para Minas com esse dinheiro, mas tive de pedir ao Clóvis para me comprar roupa, escova de dentes, chinelos, etc., pois estava usando as roupas do Edgar, que é um pouco mais baixo do que eu. Como não tenho o que fazer, e não me arrisco mais a sair de casa, eu mesmo quis lavar minha roupa, mas Alice não deixa de modo algum.

Clóvis foi à editora ver se arranja uma tradução qualquer para eu fazer, com uma parte do dinheiro adiantada, mas o diretor está em São Paulo.


Dia 28 – Estou com os nervos arrebentados por causa da Alice – quando Edgar vai para a Companhia de Seguros... seria o cúmulo de sem-vergonhice! Se eu tivesse qualquer coisa com essa mulher, seria o último dos cachorros.

1º de março – Sou.


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Rubem Braga
Melhores Contos
Seleção de Davi Arrigucci Jr.
Global Editora – edição 2001